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Burnout: gostar demais do trabalho pode levar ao esgotamento

Após um plantão intenso de trabalho durante o Carnaval, a redatora Cristina*, de 25 anos

21/09/2022 15:15:50

 Burnout: gostar demais do trabalho pode levar ao esgotamento

Após um plantão intenso de trabalho durante o Carnaval, a redatora Cristina*, de 25 anos, teve uma crise. Enquanto jantava com amigos, a jovem de São Paulo notou que estava mais inquieta do que o normal. Não conseguia ficar na mesa, irritada. Tinha se dado conta de que todos seus pensamentos cotidianos eram relacionados ao trabalho. "Levantava, ia para fora, chorava e voltava para dentro do restaurante. Senti desespero, falta de ar e um formigamento no corpo. Chegou a um nível que eu pedi para me levarem embora", descreve a redatora Cristina, que pediu para não ser identificada porque ainda lida com as causas e consequências do seu esgotamento.

Cristina só foi entender que era mais uma vítima do famoso burnout quando viveu essa experiência. Na época, uma das questões que a levaram à crise era trabalhar em ritmo intenso, sem receber o salário nos últimos tempos.

"Sempre fui uma pessoa muito prestativa, que topava tudo. Mesmo quando o cansaço vinha, acreditava que precisava aguentar, pois realmente gostava do que fazia. Confesso que até achava burnout meio 'nada a ver', porque sempre trabalhei bastante e pensava que o ritmo deveria ser assim mesmo. Até que a conta veio", conta.

Dizem que quem trabalha com o que ama nem sente que está trabalhando, de fato. Afinal, gostar do que faz tornaria qualquer rotina profissional mais leve e satisfatória. Só que, quando o assunto envolve carreira, também deveria ser resgatada aquela máxima de que nenhum excesso é positivo. Na verdade, amar demais o trabalho pode levar ao burnout.

O amor como gatilho

Amar a profissão, o trabalho e o cargo é o melhor dos mundos. O esgotamento nem sempre acontece com pessoas que se desapaixonaram pelo trabalho ou não seguem suas paixões. Algumas vezes, o problema está quando essa paixão se torna compulsão - daí o termo "workaholics", atribuído a quem trabalha tanto que não consegue se desligar da vida profissional.

Se você é particularmente apaixonado pelo seu trabalho, pesquisas mostram que você pode ser mais propenso ao esgotamento do que seus colegas menos entusiasmados. É justamente neste ponto que o amor passa a ser o combustível para atuar cada vez mais, ignorando quaisquer limites.

"É comum as pessoas deixarem de lado os sinais físicos e psíquicos do esgotamento. Muitas podem estabelecer uma relação excessiva e, sem perceber, cruzar os limites saudáveis de esforço e estresse profissional", explica o psicólogo organizacional Lucas Franco Freire, especializado em desenvolvimento de lideranças e autor do livro "Playfulness: trilhas para uma vida resiliente e criativa".

De acordo com a psiquiatra Malu de Falco, embora os estudos na área ainda estejam avançando, sem dados específicos, é possível afirmar que existem indivíduos com maiores chances de desenvolver a doença, o que tem sido observado, principalmente, na prática clínica. "Os mais propensos são aqueles que estão expostos a altíssimas cargas de trabalho, pressão em ambiente laboral e carga horária dupla - ou, então, a uma jornada dupla de trabalho, sendo com o mesmo empregador, em vários empregos ou nas tarefas domésticas", afirma Malu.

As mulheres estão no topo dessa lista. Desde 2015, o termo "cansada", no gênero feminino, é mais procurado do que "cansado" pelos usuários brasileiros. Para complementar, nos últimos 12 meses, a pesquisa pela expressão "mãe cansada" também teve um crescimento abrupto no buscador. Seja pelo acumulo de jornadas seja pelas condições profissionais, a saúde mental das mulheres piorou mais que a dos homens nos últimos anos.

Segundo pesquisa divulgada em setembro de 2011 pelo Instituto Datafolha e feita a pedido da plataforma de saúde mental Zenklub, 68% das mulheres do país se sentiram sobrecarregadas com o trabalho durante a pandemia, contra 56% dos homens. Outra pesquisa Segundo uma pesquisa do Instituto FSB, feita a pedido da companhia seguradora SulAmérica e divulgada em novembro do ano passado, 62% das brasileiras afirmam que a saúde emocional piorou ou piorou muito durante a pandemia. Entre os homens, o índice dos que se disseram mais abalados com a experiência é de 43%.

A psiquiatra destaca a identificação de um aumento dos casos de burnout no período pós-pandêmico. "É um fenômeno que aumentou 100% desde 2017, sem contar a subnotificação", diz. "Hoje faço terapia, mas continuo trabalhando bastante, porque minha vida não parou. Atualmente em outra empresa, pelo menos agora recebo em dia. Tenho bastante medo de ter burnout de novo, então, às vezes, desacelero, tento descansar mais. Parei um pouco de querer abraçar o mundo e de romantizar: é muito legal fazer o que a gente gosta, mas até certo ponto", afirma Cristina.

Fonte: UNIVERSA UOL

Texto extraído do site Fecomerciarios.

 

 

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